Jovens Monte-alegrenses realizam I Seminário Plêiade Cavalo-do-Cão


No dia 30 de março de 2017, três jovens (Anderson Plácido, Igor Oliveira e Thiago Dantas), criaram um espaço de discussão filosófica e literária para os jovens monte-alegrenses e demais sertanejos, denominando-o “Plêiade Cavalo-do-cão”, inspirados no poeta pré-modernista Augusto dos Anjos.
De acordo com o dicionário Houaiss, uma das acepções para Plêiade “grupo de homens ou literatos famosos” e cavalo-do-cão é “uma vespa que tem uma das picadas mais dolorida na face da terra”. Seu nome científico é Pepsis formosa pationii. O lema é “UNA STELLA SIDERA NON FACIT”, ou seja, “uma estrela sozinha não tece uma constelação”.
Hoje, o Plêiade é composto por 15 componentes (Aécio Júnior, Alessandra, Aline Dantas, Anderson Plácido, Angélica Correia, Calyne Porto, Carlos Alexandre, Fernanda Souza, Igor Oliveira, Isis, Lucas Costa, Maria Eduarda Oliveira, Natan Barbosa, Pedro Filho, Rafhael Souza e Thiago Dantas), que se reúnem mensalmente com o intuito de discutirem e produzirem textos, refletindo sobre as mazelas sociais.
Os jovens estudantes do município de Monte Alegre de Sergipe vêm desbravando novos horizontes através da leitura e escrita, refletindo sobre a sua posição sujeito social. “Precisamos apoiar essas iniciativas para termos um amanhã mais justo”, enfatiza um dos jovens.
Para festejar um ano de existência, os membros realizaram na sexta-feira, 23 de março, o I Seminário do Plêiade Cavalo-do-Cão, homenageando o patrono-mor “Augusto dos Anjos”.
O público presente foi agraciado com uma palestra sobre "As tendências literárias do Século XIX", proferida pela Drª Christina Bielinski Ramalho; apresentação do poema "Psicologia de um vencido", de Augusto dos Anjos, feita por integrantes do Plêiade; mesa-redonda sobre "Augusto dos Anjos: o operário das ruínas, " organizada por membros do Plêiade, além de canções tocadas e cantadas pelo grupo musical DiVersos, que é composto por jovens estudantes do Ensino Médio do Centro de Excelência 28 de Janeiro.
“É preciso externar nossa gratidão a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização do nosso I Seminário. Que venham outras edições”, destaca o grupo “Plêiade Cavalo-do-cão”.

Conheça Augusto dos Anjos
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em 28 de abril de 1884, no Engenho do Pau d’Arco (PB).
Seus pais eram proprietários de engenhos, os quais seriam perdidos alguns anos mais tarde, em razão do fim da monarquia, da abolição e da implantação da república.
Foi educado pelo próprio pai até o período antecedente à faculdade. Formou-se em Direito no Recife, contudo, nunca exerceu a profissão. Criado envolto aos livros da biblioteca do pai, era dedicado às letras desde muito cedo. Ainda adolescente, o poeta publicava poesias para o jornal “O Comércio”, as quais causavam muita polêmica. Por causa dos poemas era tido como louco para alguns e era elogiado por outros. Na Paraíba, foi chamado de “Doutor Tristeza”, por causa de suas temáticas poéticas.
Em 1910, casa-se com Ester Fialho, com quem tem três filhos. O primeiro filho morre prematuramente. Quando a situação financeira da família se agrava, com o advento da industrialização e a queda do preço da cana-de-açúcar, o autor muda-se para o Rio de Janeiro. Nesta cidade, enfrenta o desemprego até conseguir o cargo de professor substituto na Escola Normal e no Colégio Pedro II, complementando-o com a renda das aulas particulares.
Em 1914, transfere-se para Minas Gerais, por causa de uma nomeação como diretor do Grupo Escolar de Leopoldina, a qual conseguiu com ajuda de um cunhado. Após alguns meses da mudança, o poeta morre aos 12 de novembro do mesmo ano, vitimado por pneumonia.
Augusto dos Anjos vivenciou a época do parnasianismo e simbolismo e das influências destas escolas literárias através de seus escritores, como: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Cruz e Souza, Graça Aranha, dentre outros. Porém, o único livro do escritor, intitulado “Eu”, trouxe inovação no modo de escrever, com ideias modernas, termos científicos e temáticas influenciadas por sua multiplicidade intelectual. Pela divergência dos assuntos tratados pelo autor em seus poemas em relação aos dos autores da época, Augusto dos Anjos se encaixa na fase de transição para o modernismo, chamada de pré-modernismo.
O poeta tinha como tema uma profunda obsessão pela morte e teve como base a ideia de negação da vida material e um estranho interesse pela decomposição do corpo e do papel do verme nesta questão. Por este motivo foi conhecido também como o “Poeta da morte”.
Sua única obra marca a literatura brasileira pela linguagem e temática diferenciadas.
Fonte: Brasil Escola.

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