Coronel Rocha, Pré-Candidato a Deputado Federal, fala com exclusividade ao Jornal do Sertão

Foto: Mayara Gouveia
Henrique Alves da Rocha, Coronel da Polícia Militar do Estado de Sergipe, conhecido como Coronel Rocha, pré-candidato a Deputado Federal pela Rede Sustentabilidade, esteve visitando a cidade de Canindé de São Francisco, sertão sergipano. Na oportunidade nossa equipe conversou com o C. Rocha.

Damião Feitosa: “Coronel Rocha, na sua visão, como está à conjuntura política no estado de Sergipe”?

Coronel Rocha: “O Governo de Sergipe, não é necessário falar muito para descrevê-lo, ocupamos hoje o vergonhoso posto de estado mais violento do Brasil, dados anunciados pelo Fórum Nacional de Segurança Pública, a Capital Aracaju ocupa também o primeiro lugar das capitais brasileiras em índices de homicídios, isso tudo por falta de políticas públicas na área de segurança pública. É um governo que não conversa entre si nas secretarias, cada secretaria é uma ilha, e a construção de políticas públicas se faz com a união de todos, precisamos ter uma política de combate às drogas, de combate à violência, uma politica permanente de segurança nos nossos limites no estado de Sergipe, principalmente no sertão. Isso demanda uma atenção especial do governo, e não vejo esse tipo de ação por parte do governo do nosso estado.

Damião Feitosa: “Aracaju é a capital mais violenta do país segundo dados do Fórum Nacional de Segurança Pública (2015-2016), além da Segurança Pública no estado de Sergipe quais as prioridades estão sendo deixadas de lado pelo atual governo, e como pré-candidato a deputado federal o que são prioridades para você”?

Coronel Rocha: “Nenhuma transformação é conquistada se não através da educação, precisamos melhorar e muito a qualidade da educação de nossos jovens. Escolas de qualidade, professores valorizados, fazer com que o estudante permaneça na escola não só o horário escolar, mas um horário integral para que ele possa desempenhar uma atividade esportiva, de lazer, cultural, enfim, fazer com que a família participe nas atividades escolares. A participação do munícipio na segurança pública é muito importante, o município tem que comparecer de forma mais efetiva na vida do cidadão através da educação, promovendo a segurança nas escolas. A educação para mim é o fator transformador de uma nação, e sem valorização, sem investimentos na educação, saúde, segurança, obras e infraestruturas nós não vamos para frente, o resultado está ai, Sergipe com índices alarmantes de violência, de fracasso na educação, não por culpa de nossos professores, mas por falta de condições, nossos jovens não tem uma educação de qualidade nas escolas, os professores não têm condições de trabalho, salários atrasados, nossos aposentados recebem 15 dias depois da data de pagamento quando não parcelado, enfim, vivemos um caos administrativo em nosso estado e precisamos mudar essa realidade, e essa realidade mudamos através da participação da sociedade no processo político do nosso estado”.

Damião Feitosa: “Na educação do estado de Sergipe algumas escolas aderiram ao ensino integral, porém muitas destas não possuem uma estrutura para atender os estudantes neste modelo aplicado, e os diretores ainda são indicados por cargos políticos, não há uma escola democrática onde estudantes e comunidade participem desta escolha. É necessário redesenhar a educação em nosso estado”?

Coronel Rocha: “A gestão democrática nas escolas faz parte da construção, da participação e importância do jovem na politica. Não vamos mudar a educação do nosso estado ou dos nossos municípios por decreto, não é um decreto de um governador, pegando uma escola "A" que funciona em um período matutino, por exemplo, e transformando por decreto em período integral, que vai funcionar perfeitamente, tem que criar condições para que a escola funcione: com ativação e funcionamento de laboratórios de informática, física e química, atividades de lazer e esportes, isso tudo tem que ter investimento, e o professor tem que ser reconhecido também, ser valorizado, não se faz educação só com aluno ou só com professor, são com todos, inclusive com a família. Não se muda esse processo com decreto, tem que construir possibilidades de que as escolas definitivamente funcionem em ensino integral”.

Damião Feitosa: “Todas as cidades do sertão de Sergipe estão passando por uma crise econômica ou em sua opinião falta uma boa administração nos municípios, já que muitas cidades do sertão não estão conseguindo honrar com os pagamentos dos servidores, da mesma forma o Estado”?

Coronel Rocha: “Isso é falta de gestão, falta de recursos não é. Nós pagamos muitos impostos, o Brasil é o país que mais cobra impostos de um cidadão do mundo, como é que justificam para um cidadão que não tem recursos? O que falta é gestão, falta priorizar determinadas ações, por exemplo, como é que você investe 8 milhões em publicidade de um governo se falta dinheiro na escola, na segurança, na saúde? é uma questão de prioridade de gestão, porque o cidadão também está com o salário defasado e consegue administrar sua casa. Porque o estado com tantos recursos não consegue administrar? Todos os cidadãos estão acompanhando o que está acontecendo em nosso estado e em alguns municípios, a falta de gestão leva ao caos administrativo, atrasam salários, não pagam fornecedores, não priorizam o que é prioridade, a exemplo de saúde, educação, segurança, ao invés, ficam com gastos com cargos comissionados, acordos políticos, enfim, o que conhecemos da política tradicional.

Damião Feitosa: “Para resolver a situação de caos em Sergipe é necessário trocar algumas peças, acabar com o apadrinhamento político ou modificar tudo”?

Coronel Rocha: “No momento atual de Sergipe é necessário trocar todas as “peças inclusive o motor”, na política temos políticos há 40 anos no poder, esse cara não vai mais produzir nada na política. Os mandatos passam de pai para filho, é uma transferência de poder, como se fosse de propriedade privada, um absurdo. É necessário que o povo participe mais atentamente da política, a mídia está ai: internet, rádio e tv são exemplos, mostrando quais são os políticos envolvidos em corrupção, quem responde por crime, hoje sabemos quem são os políticos que estão no poder há 40, 50 anos, quem recebe duas, três aposentadorias. É hora de o povo fazer uma renovação, temos excelentes nomes a candidatos, novos nomes para a sociedade escolher, a palavra do ano de 2018 é renovação, este ano é o ano de renovação na política nacional”.

Damião Feitosa: “Seu nome vem aparecendo e crescendo nas últimas pesquisas para o cargo de deputado federal no estado de Sergipe, como você avalia esse crescimento”?

Coronel Rocha: “Tenho uma história de mais de 30 anos de serviço público em nosso estado, 28 anos de Policia Militar, trabalhando em defesa da sociedade sergipana junto com todos os policiais militares, civis, rodoviários federais do nosso estado, guardas municipais, enfim, que são abnegados, uma vida pública construída com muito trabalho em prol da sociedade sergipana, trabalhei em diversos municípios. Isso é o reconhecimento de um trabalho que nos enobrece muito e também aumenta muito a responsabilidade. Isso é o resultado de um trabalho de longos anos, nunca tive pretensões políticas partidárias, nunca fui candidato, e é uma oportunidade que está surgindo agora desta construção de uma pré-candidatura junto ao Rede Sustentabilidade e as pessoas estão entendendo que é importante renovar. E através de algumas entrevistas que venho dando, mostrando a necessidade da reformulação da segurança pública, de mudanças dos nomes que estão aí e que a população fique atenta a quem efetivamente quer transformar. O resultado vem surgindo naturalmente, é uma forma de retorno que surge de um trabalho desenvolvido e as pessoas que são beneficiadas pelo trabalho, eu fico muito lisonjeado e aumenta muita minha responsabilidade, pois não temos uma estrutura que algumas pessoas costumam ter, estamos no diálogo e será assim até a eleição.

Damião Feitosa: “Como o estado de Sergipe poderia garantir uma segurança pública que realmente atendesse o anseio da sociedade”?

Coronel Rocha: “Primeiramente é necessário ouvir a população para ver efetivamente o que ela quer, tem que ter uma política pública de estado e nós não temos. E essa construção de política pública se faz conversando com o povo, esse é o primeiro passo, após se constrói um diagnóstico e ver quais são os problemas e constrói as soluções com todos os membros da sociedade: Precisamos da participação da Igreja, da OAB, do Ministério Público, do Judiciário, da Sociedade Civil, do Conselho Comunitário de Segurança, enfim, da sociedade como um todo, para construir uma política de governo que seja trabalhada durante o mandato, e nunca foi feita, o governo do estado nunca conversou com o cidadão para saber quais são as necessidades dele na área da segurança”.


Por Damião Feitosa do Jornal do Sertão
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